(Conheça algumas técnicas de como melhorar a escrita  e tornar os seus textos mais originais e criativos)

A princípio, para melhorar a escrita podemos lançar mão de alguns dos princípios e técnicas adotadas pela escrita critativa. A escrita criativa é compreendida como uma prática que transcende a mera produção textual, configurando-se como um espaço de encontro entre imaginação, técnica e reflexão crítica.[1]

Ela abrange um amplo espectro de possibilidades, desde textos ficcionais até não ficcionais, e “pode ser publicada por grandes editoras ou trancada na gaveta para nunca ser lida por ninguém que não seja o autor”, envolvendo tanto escritores consagrados quanto crianças em idade escolar.[2]

A escrita criativa opõe-se à escrita utilitária, formal ou burocrática, pelo que mereceria este adjetivo a escrita literária e/ou lúdica, do poema, do conto e do jogo de palavras.[3]

Logo, na educação, ela assume papel emancipatório, transformando alunos em autores capazes de explorar a linguagem de forma crítica e estética, rompendo com a “pedagogia do silenciamento” e promovendo o letramento literário.[4]

De acordo com um estudo da Secretaria de Cultura de São Paulo, intitulado Viagem literária: escrita criativa, existem cinco princípios gerais da escrita criativa. Porém,  o estudo adiciona mais um que, antecede a todos: o princípio zero: “Ler é reler, e escrever é reescrever”. [5]

Dito de outra forma, para ser original e criativo, há que ler muito para escrever melhor, mas também há que escrever mais para ler de forma mais competente e descobrir o prazer da leitura e da escrita.[6]

Não espere a inspiração aparecer

            Outro princípio geral do estudo sobre escrita criativa que consideramos bastante relevante é o que pretende desmistificar a ideia de inspiração [divina]. Ao contrário, ele afirma que “são as palavras que conduzem as ideias e não o contrário” – para escrever é preciso trabalho, disciplina, persistência e técnica. São essas práticas que, juntas, vão ocasionar momentos inspiradores e criativos.

“Se a inspiração quiser vir, ela que venha, mas vai me encontrar trabalhando” – Pabro Picasso.

Ou seja, para encontrar ideias de trabalho [de escrita] – não é preciso buscá-las dentro de si, mas, principalmente, fora. Em dicionários, gramáticas, fontes de pesquisa de todas as áreas (quanto mais distantes de sua área de conhecimento, melhor).

Então, é preciso propor a si mesmo exercícios de combinações de palavras, restrições gramaticais, neologismos etc. e, com isso, “disparar” textos. Não devemos escrever apenas a partir de nossos sentimentos e pensamentos, mas a partir das palavras, suas combinações e especificidades.

Seja original e criativo

Certamente, um aspecto fundamental para se pensar a originalidade (a sua linguagem própria) é o ponto-de-vista, ou a perspectiva adotada para se abordar determinado tema. Trata-se de um dos elementos mais importantes e transformadores para se elaborar um texto literário diferenciado. (…) O que muda é, justamente, a perspectiva. Não o “quê”, mas o “como”.[7]

Assim, é muito importante que o(a) escritor(a), ao dar início a uma narrativa – e também enquanto a escreve – atente para sua escolha de perspectivas.

Da mesma forma, pelo princípio do estranhamento, o(a) escritor(a) não se conforma, é um rebelde um inadaptado, sempre se deslocando mais para cá ou mais para lá, querendo ver as coisas a partir de perspectivas diferenciadas.[8]

Além da observância dos princípios da escrita criativa, nós acreditamos que o(a) autor(a) iniciante só se tornará um(a) escritor(a) quando a sua necessidade de escrever for sustentada por um tema que permita e exija que essa necessidade se organize num projeto,[9] com planejamento e estruturação mínima, inclusive do conteúdo e das palavras do texto a ser produzido.

Em literatura, diferente do que ocorre na fala cotidiana, em que é indiferente dizer, por exemplo, “vá tomar banho” ou “por favor, tome seu banho”, toda palavra, frase ou recurso deve carregar uma intenção [um plano]. Se usamos gírias, língua oral, língua erudita, prolixidade, se cometemos erros gramaticais se o personagem é plano ou esférico, se o foco narrativo é em primeira ou terceira pessoa, se o tempo verbal é no presente ou no passado, tudo deve ser cuidadosamente pensado, elaborado. Nada, na literatura, é gratuito e banal.[10]

Então, como melhorar a escrita?

Em resumo, para melhorar a escrita, sendo original e criativo, é preciso sair dos caminhos habituais da escrita escolarizados, que cumprem com os modelos de redação e produção textual habituais.

Por exemplo, utilizando a história dos três porquinhos como referência, Ellen Lupton (2020: 155) propõe cinco formas de melhorar a escrita criativa:[11]

1) Seja concreto, não abstrato:

ABSTRATO: Os três porquinhos construíram casas usando diversos materiais.

CONCRETO: Os três porquinhos construíram casas usando palha, gravetos e tijolos.

2) Evite a voz passiva:

PASSIVA: A primeira casa foi construída utilizando palha.

ATIVA: O porquinho construiu a primeira casa utilizando palha.

3) Use verbsos fortes para contar a história:

FRACO: O lobo estava em frente à casa.

FORTE: O lobo aguardou em frente à casa.

FORTE: O lobo parou em frente à casa.

MAIS FORTE: O lobo fumou seu último cigarro em frente à casa.

4) Ao invés de contar, mostre:

CONTAR (FRACO): O lobo mau gostava de destruir coisas.

MOSTRAR (FORTE): O lobo soprou e esbaforou e bufou até derrubar quase todo o empreendimento imobiliário.

5) Evite transformar verbos em substantivos:

SUBSTANTIVOS (FRACO): “inovação”, “ruptura”, “participação”:  A construção com tijolos ao invés de palha resultou em um impacto sobre a economia.

VERBOS (FORTE): “inovar”, “romper”, “participar”: Construir com tijolos ao invés de palha impactou a economia.

6) Enxugue. Vá direto ao ponto:

EXCESSO (FRACO): “Acredito que”, “A verdade é que”, “Como eu já disse”: Acredito que nós deveríamos ter usado tijolos e não palha.

SEM EXCESSOS (FORTE): Deveríamos utilizar tijolos e não palha.

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Notas

[1] De acordo com ESTAGIAR – Encontro do Estágio de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, 7. Londrina. UEL, v.1, n.7 (2025: 269).

[2] Segundo Karen Lockney (2012), In ESTAGIAR – Encontro do Estágio de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, 7. Londrina. UEL, v.1, n.7 (2025: 269).

[3] Segundo Santos & Santos (2009, p.159), In BARCELAR, Maria Beatriz G. H. A Escrita Criativa como estratégia de promoção da expressão escrita. Porto, Escola Superior de Educação Paula Frassinetti (2023: 44).

[4] Conforme Tauveron (2014) e Zappone (2008), In ESTAGIAR – Encontro do Estágio de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, 7. Londrina. UEL, v.1, n.7 (2025: 269).

[5] Conforme princípios gerais da escrita criativa: zero – ler é reler e escrever é reescrever; um – são as palavras que conduzem as ideias e não o contrário; dois – simplicidade e concisão; três – intencionalidade; quatro – originalidade; e cinco – estranhamento [SÃO PAULO, 2017; 6].

[6] Conforme Curso Técnicas de Escrita Criativa do Instituto Politécnico de Tomar, disponível na plataforma NAU (Portugal) [O constrangimento inicial. Módulo 2], 2026.

[7] De acordo com a descrição do princípio quatro – originalidade. In SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Cultura. Viagem Literária: Escrita Criativa [2017: 11].

[8] Conforme SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Cultura. Viagem Literária: Escrita Criativa. [S. l.]: SP Leituras; SisEB, [2017]. 1 fascículo (Apostila). 10º ano (pág. 12).

[9] Conforme André Gorz, citado por Artur Telló in Sobre a escrita criativa III / Adriano Portela … [et. al.].; organização, Patricia Gonçalves Tenório; prefácio, Luiz Antonio de Assis Brasil – Recife, PE: Raio de Sol, 2020. 240 p.: il. p&b.(pág. 53).

[10] Conforme descrição do princípio três – Intencionalidade. In SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Cultura. Viagem Literária: Escrita Criativa [2017: 8].

[11] De acordo com LUPTON, Ellen. O design como storytelling. Tradução Mariana Bandarra. Osasco, SP: Gustavo Gili, 2020 (pág. 155).


Bibliografia

BARCELAR, Maria Beatriz G. H. A Escrita Criativa como estratégia de promoção da expressão escrita (Dissertação de Mestrado). Porto, Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, 2023 (pág. 44).

LUPTON, Ellen. O design como storytelling. Tradução Mariana Bandarra. Osasco, SP: Gustavo Gili, 2020 (pág. 155)

SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Cultura. Viagem Literária: Escrita Criativa. [S. l.]: SP Leituras; SisEB, [2017]. 1 fascículo (Apostila). 10º ano.

TELLÓ, Artur. Sobre a escrita criativa III / Adriano Portela … [et. al.].; organização, Patricia Gonçalves Tenório; prefácio, Luiz Antonio de Assis Brasil – Recife, PE: Raio de Sol, 2020. 240 p.: il. p&b.(pág. 53).


Outras referências bibliográficas

ESTAGIAR – Encontro do Estágio de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, 7. Londrina. Universidade Estadual de Londrina, v.1, n.7, 2025. ISSN: 2594-5262 (pág. 269).

CURSO TÉCNICAS DE ESCRITA CRIATIVA do Instituto Politécnico de Tomar, disponível na plataforma NAU (Portugal), [Módulo 2 – O constrangimento inicial], 2026.


Por Francisco Hélio de Sousa

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